Quem Cuidaria dos Seus Filhos? A Importância do Planejamento Familiar e Sucessório
- Thais Marachini
- 15 de abr. de 2025
- 3 min de leitura
Em meio às demandas do dia a dia, poucas pessoas se atentam à seguinte pergunta: "Se eu faltar, quem cuidará dos meus filhos?" Embora delicada, essa é uma reflexão necessária, especialmente para pais com filhos menores de idade. A ausência de um planejamento pode acarretar conflitos familiares, insegurança jurídica e instabilidade emocional para os filhos, que já enfrentariam o trauma da perda.
No Direito de Família e das Sucessões, o planejamento não se resume à divisão de bens. Vai muito além: é sobre garantir proteção, afeto e estabilidade às pessoas que mais amamos.
1. A Relevância do Planejamento Familiar e Sucessório
Planejar o futuro dos filhos menores é um dever moral e jurídico dos pais. O Código Civil (Lei nº 10.406/2002), em seu artigo 1.689, dispõe que os pais são os representantes legais dos filhos menores, incumbindo-lhes o exercício do poder familiar (art. 1.634 do CC).
No entanto, em caso de falecimento ou ausência, a legislação impõe a necessidade de nomeação de tutor, nos termos do artigo 1.728 do Código Civil:
Art. 1.728. Os filhos menores são postos em tutela: I - com o falecimento dos pais; II - quando decaírem do poder familiar.
Assim, na falta de ambos os genitores, a criança precisará ser legalmente tutelada por terceiro — e, na ausência de uma nomeação prévia, caberá ao Judiciário determinar quem exercerá essa função, o que pode gerar disputas familiares e escolhas desalinhadas com a vontade dos pais.
2. Nomeação de Tutor por Testamento: Como Funciona?
Uma das formas mais eficazes de garantir que os filhos sejam cuidados por alguém de confiança é por meio da nomeação de tutor em testamento.
Segundo o artigo 1.729 do Código Civil, o pai ou a mãe podem nomear tutor por testamento ou documento autêntico:
Art. 1.729. O pai ou a mãe, no exercício do poder familiar, podem nomear tutor por testamento ou documento autêntico.
Essa nomeação tem efeito vinculante, ou seja, o juiz só poderá desconsiderá-la por motivo grave, desde que devidamente fundamentado (art. 1.732 do CC). A escolha é, portanto, uma forma legítima e eficaz de garantir que a criança seja amparada por alguém que compartilha dos valores, princípios e estilo de vida da família.
Funções do Tutor
O tutor é responsável por:
Administração dos bens da criança;
Garantia da sua educação e formação;
Representação legal em atos civis e judiciais;
Decisões relativas à saúde, moradia e bem-estar.
3. Segurança Jurídica e Procedimentos Práticos
A elaboração do testamento ou documento público de nomeação de tutor deve ser acompanhada por advogado especializado em Direito de Família e Sucessões, a fim de assegurar:
Formalidade legal (escritura pública ou testamento particular válido);
Registro adequado;
Segurança jurídica quanto à manifestação da vontade;
Compatibilidade com o ordenamento jurídico vigente.
Além disso, é recomendável que o tutor nomeado tenha ciência e aceite previamente essa designação, para que haja segurança e comprometimento com a responsabilidade.
4. E se os pais não nomearem um tutor?
Na ausência de nomeação, o tutor será escolhido judicialmente, observando a ordem legal do artigo 1.731 do Código Civil, que prioriza parentes próximos. Porém, não necessariamente será a pessoa que os pais escolheriam, podendo gerar conflitos familiares e prejuízos ao bem-estar da criança.
Conclusão
A nomeação de tutor por testamento ou documento autêntico é um dos mais importantes atos de planejamento familiar, sendo um verdadeiro gesto de amor, proteção e responsabilidade.
Garantir o futuro dos filhos, mesmo na ausência dos pais, é assegurar-lhes dignidade, estabilidade e segurança emocional.
Se você ainda não fez seu planejamento sucessório, agora é o momento de agir.
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