Pensão Alimentícia: Sobrevivência x Subsistência – Entenda a Diferença e Como Isso Impacta o Valor a Ser Pago
- Thais Marachini
- 8 de abr. de 2025
- 3 min de leitura
A pensão alimentícia é um tema central no Direito de Família e, ao mesmo tempo, um dos mais complexos e emocionalmente delicados. Muitas pessoas acreditam que a pensão serve apenas para garantir o “mínimo para viver”, mas o ordenamento jurídico brasileiro vai além: o objetivo dos alimentos não é somente garantir a sobrevivência, mas assegurar dignidade e desenvolvimento adequado de quem os recebe. Nesse contexto, entender a diferença entre pensão voltada à sobrevivência e à subsistência é essencial.
📌 O que é pensão alimentícia?
A pensão alimentícia é uma prestação que visa garantir os meios de manutenção de uma pessoa que, por alguma razão, não consegue prover integralmente seu próprio sustento. Pode ser devida aos filhos, cônjuges, ex-cônjuges ou parentes próximos.
A previsão legal encontra-se no art. 1.694 do Código Civil, que dispõe:
“Podem os parentes, os cônjuges ou companheiros pedir uns aos outros os alimentos de que necessitem para viver de modo compatível com a sua condição social, inclusive para atender às necessidades de sua educação.”
Portanto, não se trata apenas de suprir necessidades básicas, mas de permitir uma vida compatível com o padrão anteriormente vivenciado. A pensão deve ser fixada com base no binômio necessidade x possibilidade — isto é, as necessidades de quem recebe e as possibilidades de quem paga.
⚖️ Sobrevivência x Subsistência: Qual é a diferença?
✅ Pensão para Sobrevivência
Esse tipo de pensão cobre o mínimo indispensável para manter a vida. Ela é aplicável em casos nos quais o alimentante possui recursos limitados e, ainda assim, precisa contribuir com valores básicos para a manutenção do alimentado.
Abrange, geralmente:
Alimentação simples;
Vestuário básico;
Alojamento (moradia);
Cuidados médicos emergenciais ou básicos.
A pensão para sobrevivência é mais comum em situações de extrema vulnerabilidade econômica, onde o Estado pode, inclusive, ser acionado para complementar o sustento (como por meio de programas assistenciais).
✅ Pensão para Subsistência
Por outro lado, a pensão destinada à subsistência possui um conceito mais amplo. Ela considera não apenas a manutenção da vida, mas também o desenvolvimento pessoal, educacional, social e emocional do alimentado. É voltada à manutenção de um padrão de vida digno e proporcional àquele que a pessoa possuía antes da separação ou dissolução do vínculo.
Pode incluir:
Escola particular, cursos extracurriculares e atividades de reforço;
Plano de saúde, terapias, consultas especializadas e medicamentos contínuos;
Transporte escolar, combustível, uso de aplicativos;
Lazer e cultura (viagens, esportes, cinema, internet, entre outros);
Moradia confortável e alimentação de qualidade.
Esse tipo de pensão é o mais aplicado no cotidiano forense quando se trata de filhos menores, pois visa assegurar o direito ao pleno desenvolvimento físico, emocional, intelectual e social da criança ou adolescente.
🧑⚖️ Como os juízes definem o valor da pensão?
Na prática, o valor da pensão é fixado com base em diversos critérios, buscando o equilíbrio entre:
As necessidades reais do alimentado;
As possibilidades financeiras do alimentante;
O padrão de vida anteriormente vivenciado pela família;
O número de dependentes;
Situações especiais (como doenças, deficiências ou tratamentos prolongados).
Importante: não existe um percentual fixo previsto em lei. O valor de 30% do salário do alimentante, por exemplo, é apenas uma média utilizada como referência inicial, podendo ser ajustada conforme o caso concreto.
Além disso, o valor pode ser revisado judicialmente sempre que houver mudança significativa na situação econômica de qualquer uma das partes.
🧭 Conclusão: mais que sobrevivência, a pensão alimentícia garante dignidade
A pensão alimentícia não se resume a uma obrigação financeira — ela é expressão concreta do cuidado, da responsabilidade e do compromisso com o bem-estar do outro. Entender a diferença entre pensão para sobrevivência e subsistência ajuda a construir uma visão mais justa e humana sobre o tema.
Assim, mais do que manter alguém vivo, a pensão deve assegurar o direito ao desenvolvimento, à dignidade e à continuidade de uma vida com qualidade, conforme os princípios constitucionais da solidariedade, da proteção à infância e da dignidade da pessoa humana.
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