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O Papel do Advogado no Planejamento Sucessório e a Importância da Assessoria Preventiva em Testamentos

  • Foto do escritor: Thais Marachini
    Thais Marachini
  • 3 de nov. de 2025
  • 3 min de leitura


O testamento é um dos atos jurídicos mais pessoais e sensíveis do Direito Civil. Envolve não apenas patrimônio, mas valores, afetos e o legado moral do testador. Diante dessa complexidade, a presença do advogado especializado é essencial para assegurar que a vontade seja expressa com clareza, validade e segurança jurídica.


No contexto do planejamento sucessório, a advocacia assume um papel que vai além da técnica: atua como mediadora de interesses, orientadora de decisões e guardiã da harmonia familiar. A assessoria preventiva em testamentos não é apenas uma formalidade é uma medida de cuidado, prudência e prevenção de conflitos que preserva o patrimônio e os vínculos entre os herdeiros.


2.1. Base Legal e Função Social da Advocacia na Sucessão


A atuação do advogado no planejamento sucessório encontra respaldo no art. 133 da Constituição Federal, que reconhece a advocacia como função essencial à administração da justiça.


Em matéria sucessória, essa função se manifesta no aconselhamento técnico e ético ao cliente, garantindo que o testamento observe os requisitos previstos nos arts. 1.857 a 1.990 do Código Civil, e que a sucessão se realize conforme a lei e a vontade legítima do testador.


O advogado, portanto, é o intérprete da vontade do testador à luz do ordenamento jurídico, assegurando que o ato tenha forma válida, conteúdo lícito e finalidades legítimas sem nulidades, ambiguidades ou injustiças que possam gerar litígios.


2.2. A Advocacia Preventiva no Planejamento Sucessório


O planejamento sucessório é o conjunto de medidas adotadas em vida para organizar a transmissão de bens e responsabilidades.


 Quando bem conduzido, ele reduz o impacto emocional e financeiro do inventário, previne litígios e permite uma sucessão tranquila.


Nesse processo, o advogado exerce funções fundamentais:


  • Análise patrimonial: identifica o regime de bens, a composição do acervo e os direitos dos herdeiros;

  • Avaliação dos objetivos familiares: compreende as relações afetivas e eventuais vulnerabilidades;

  • Escolha dos instrumentos adequados: testamento, doação, holding familiar, usufruto, ou combinação de medidas;

  • Prevenção de nulidades: garante o cumprimento das formalidades legais e evita disposições contrárias à legítima;

  • Proteção da vontade: assegura que o testador atue com discernimento, sem vícios de consentimento.


A assessoria jurídica, portanto, é preventiva e protetiva preserva a vontade do testador e antecipa soluções antes que o conflito exista.


2.3. A Função Técnica e Humana do Advogado em Testamentos


A elaboração de um testamento não é um ato meramente burocrático. Envolve reflexões sobre o futuro, o afeto e as relações familiares.


Nesse contexto, o advogado assume um papel duplo: técnico e humano.


Do ponto de vista técnico, orienta sobre:


  • limites da legítima e liberdade de testar;

  • cláusulas restritivas (inalienabilidade, impenhorabilidade, incomunicabilidade);

  • formas de testamento (público, cerrado, particular ou eletrônico);

  • compatibilidade com regimes de bens e eventuais doações anteriores.


Do ponto de vista humano, atua como agente de equilíbrio e empatia, auxiliando o testador a expressar suas intenções de forma justa, coerente e pacificadora.


Essa dimensão ética e emocional distingue a advocacia especializada: o advogado não apenas escreve cláusulas, mas traduz afetos em linguagem jurídica, conferindo segurança e paz a uma decisão que transcende o patrimônio.


2.4. Ética, Confiança e Responsabilidade Profissional


A atuação do advogado no planejamento sucessório requer sigilo, imparcialidade e empatia. O profissional deve zelar pela vontade real do testador, sem interferir em seu conteúdo, e agir com transparência diante de eventuais herdeiros.


A confiança depositada pelo cliente é o elemento que transforma a assessoria jurídica em um ato de responsabilidade e humanidade. Nesse sentido, o advogado é não apenas um operador do Direito, mas também um guardião da vontade e da memória do testador, assegurando que sua decisão final seja cumprida com respeito e legitimidade.


Conclusão


O planejamento sucessório é mais do que uma medida patrimonial: é um gesto de amor e organização. E o advogado é a peça central desse processo — o profissional que une técnica, sensibilidade e prudência para transformar a vontade do cliente em um ato juridicamente eficaz e moralmente equilibrado.


A assessoria preventiva em testamentos evita litígios, resguarda famílias e dá concretude à autonomia da vontade. Com ela, o Direito cumpre seu papel social: pacificar, proteger e perpetuar o legado humano e jurídico de cada indivíduo.


Por Thais Marachini Freitas – Advogada (OAB/SP 451.886)


 Especialista em Direito de Família e Sucessões

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